adios, papa

by ordinaria hit

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Disco virtual lançado por ocasião da visita do Papa Francisco ao Brasil. Dizemos adeus ao papa, e esperemos que não volte nunca mais. Nem ele, nem qualquer outro parasita religioso.

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released July 27, 2013

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ordinaria hit São Paulo, Brazil

São Paulo, 2001. A vida ordinária tocada em hit. Prática conforme a música, ordenada em duas vias. Não ligue, é barulho convencional: não canto sem refrão, eletricidade, bateria, guitarra, baixo e um pouco mais de corda... Só que tudo de ponta cabeça, punk e a ética do faça-você mesmo. ... more

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Track Name: Cuando more un papa
01 - CUANDO CHE MORE UN PAPA

Canto satírico anticlerical italiano retirado de “Dall'unità d'Italia alla Grande Guerra (1870-1914)”. Settimelli Leoncarlo, Falavolti Laura, Canti satirici anticlericali, Roma, Savelli, 1976

Quando che more un prete
suonano le campane
piangono le puttane
ch'è morto un avventor.
Quando che more un papa
suonano il miserere
ma io c'ho un gran piacere
che è morto il puttanier.
Quando che moio io
non voglio gesù cristi
ma la bandiera rossa
dei veri socialisti.

Quando morre um padre
tocam os sinos
choram as putas
porque morreu um cliente.
Quando morre um papa
tocam a “Miserere”
mas eu sinto uma grande alegria
porque morreu o cafetão.
Quando eu morrer
não quero Jesus Cristo,
mas a bandeira vermelha
dos verdadeiros socialistas.
Track Name: Bergoglio
02 – BERGOGLIO

Contém audio das manifestações contra os gastos públicos para a visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro. Os atos foram fortemente reprimidos pela polícia e pela tropa de choque, com centenas de infiltrados (P2) agindo como agentes provocadores. Vários feridos e pessoas presas foi o resultado.
Também inclui áudio de notícia de TV sobre a estreita relação entre Bergoglio e a ditadura militar na Argentina.
Track Name: Nossa Senhora da Ditadura Aparecida
03 – NOSSA SENHORA DA DITADURA APARECIDA

Contém trecho de notícia sobre a relação do Papa Francisco com a ditadura militar argentina.
Track Name: Escravo da Religião
04 - ESCRAVO DA RELIGIÃO

Contém trecho do filme “Quanto vale ou é por quilo?” de Sérgio Bianchi.
Track Name: Deus e o estado
05 – DEUS E O ESTADO

Contém trecho do audiolivro de “Dieu et L'État” de Mikhail Bakunin.

"Falei da razão prática principal do poder exercido ainda hoje pelas crenças religiosas sobre as massas. Essas disposições místicas não denotam no homem somente uma aberração do espírito, mas
um profundo descontentamento do coração. E o protesto instintivo e apaixonado do ser humano contra as estreitezas, as vulgaridades, as dores e as vergonhas de uma existência miserável. Contra esta doença, já disse, só há um único remédio: a Revolução Social.

Em outros escritos me preocupei em expor as causas que presidiram ao nascimento e ao desenvolvimento histórico das alucinações religiosas na consciência do homem. E aqui quero
tratar desta questão da existência de um Deus, ou da origem divina do mundo e do homem sob o ponto de vista de sua utilidade moral e social, e direi poucas palavras sobre a razão teórica desta crença, a fim de melhor explicar meu pensamento.

Todas as religiões, com seus deuses, seus semideuses e seus profetas, seus messias e seus santos, foram criadas pela fantasia crédula do homem, que ainda não alcançou o pleno desenvolvimento e a plena possessão de suas faculdades intelectuais. Em conseqüência, o céu religioso nada mais é do que uma miragem onde o homem, exaltado pela ignorância pela fé, encontra sua própria imagem, mas ampliada e invertida, isto é, divinizada. A história das religiões, a do nascimento, da grandeza e
da decadência dos deuses que se se sucederam na crença humana, não é nada mais do que o desenvolvimento da inteligência e da consciência coletivas homens. À medida que, em sua marcha
histórica progressiva, eles descobriam, seja neles próprios, seja na natureza exterior, uma força, uma qualidade, ou mesmo grande defeito quaisquer, eles os atribuíam a seus deuses após tê-los
exagerado, ampliado desmedidamente, como fazem habitualmente as crianças, por um ato de sua fantasia religiosa. Graças a esta modéstia e a esta piedosa generosidade dos homens, crentes e
crédulos, o céu se enriqueceu com os despojos da terra, e, por conseqüência necessária, quanto mais o céu se tornava rico, mais a humanidade e a terra se tornavam miseráveis. Uma vez instalada a
divindade, ela foi naturalmente proclamada a causa, a razão, o árbitro e o distribuidor absoluto de todas as coisas: o mundo não foi mais nada, ela foi tudo; e o homem, seu verdadeiro criador, após tê-la tirado do nada sem o saber, ajoelhou-se diante dela, adorou-a e se proclamou sua criatura e seu escravo.

O cristianismo é precisamente a religião por excelência, porque ele expõe e manifesta, em sua plenitude, a natureza, a própria essência de todo o sistema religioso, que é empobrecimento, a escravização e o aniquilamento da humanidade em proveito da divindade. Deus sendo tudo, o mundo real e o homem não são nada. Deus sendo a verdade, a justiça, o bem, o belo, a força e a vida, o homem é a mentira, a iniqüidade, o mal, a feiúra, a impotência e a morte. Deus sendo o senhor, o homem é o escravo. Incapaz de encontrar por si próprio a justiça, a verdade e a vida eterna, ele só pode alcançar isso por meio de uma revelação divina. Mas quem diz revelação diz reveladores, messias, profetas, padres e legisladores inspirados pelo próprio Deus; e estes, uma vez reconhecidos como os representantes da divindade sobre a terra, como os santos instituidores da humanidade, eleitos pelo próprio Deus para dirigi-la em direção à via da salvação, exercem necessariamente um poder absoluto. Todos os homens lhes devem uma obediência passiva e
ilimitada, pois contra a razão divina não há razão humana, e contra a justiça de Deus não há justiça terrestre que se mantenha. Escravos de Deus, os homens devem sê-lo também da Igreja e do Estado,
enquanto este último for consagrado pela Igreja. Eis o que de todas as religiões que existem ou que existiram, o cristianismo compreendeu melhor do que as outras, sem excetuar a maioria das
antigas religiões orientais, as quais só abarcaram povos distintos e privilegiados, enquanto que o cristianismo tem a pretensão de abarcar a humanidade inteira; eis o que, de todas as seitas cristãs, o
catolicismo romano, sozinho, proclamou e realizou com uma conseqüência rigorosa. É por isso que o cristianismo é a religião absoluta, a última religião, é por isso que a Igreja apostólica e romana é a única conseqüente, a única lógica.

A despeito dos metafísicos e dos idealistas religiosos, filósofos, políticos ou poetas, a idéia de Deus implica a abdicação da razão e da justiça humanas; ela é a negação mais decisiva da liberdade
humana e resulta necessariamente na escravidão dos homens, tanto na teoria quanto na prática.
Anão ser que queiramos a escravidão e o envilecimento dos homens, como o querem os jesuítas, como o querem os mômiers, os pietistas e os metodistas protestantes, não podemos nem
devemos fazer a mínima concessão, nem ao Deus da teologia nem ao da metafísica. Aquele que, neste alfabeto místico, começa por Deus, deverá fatalmente acabar por Deus; aquele que quer adorar Deus, deve, sem se pôr ilusões pueris, renunciar bravamente à sua liberdade e à sua humanidade.

Se Deus é, o homem é escravo; ora, o homem pode, deve ser livre, portanto, Deus não existe.

Desafio quem quer que seja para sair deste circulo, e agora que se escolha.

É preciso lembrar quanto e como as religiões embrutecem e corrompem os povos? Elas matam neles a razão, o principal instrumento da emancipação humana e os reduzem à imbecilidade,
condição essencial da escravidão. Elas desonram o trabalho humano e fazem dele sinal e fonte de servidão. Elas matam a noção e o sentimento da justiça humana, fazendo sempre pender a balança
para o lado dos patifes triunfantes, objetos privilegiados da graça divina. Elas matam o orgulho e a dignidade humana, protegendo apenas a submissos e os humildes. Elas sufocam no coração dos
povos todo sentimento de fraternidade humana, preenchendo-o de crueldade.
Todas as religiões são cruéis, todas são fundadas sobre o sangue, visto que todas repousam principalmente sobre a idéia do sacrifício, isto é, sobre a imolação perpétua da humanidade à insaciável vingança da divindade. Neste sangrento mistério, o homem é sempre a vítima, e o padre, homem também, mas homem privilegiado pela graça, é o divino carrasco. Isto nos explica por que
os padres de todas as religiões, os melhores, os mais humanos, os mais doces, têm quase sempre no fundo de seu coração - senão no coração, pelo menos em sua imaginação, em seu espírito - alguma
coisa de cruel e de sanguinário."

Tradução de Plínio Augusto Coelho extraísa do livro “Deus e o Estado” de Bakunin, Editora Imaginário.